'Album de saudades' Letra de Carlos Conde Música de Pedro Rodrigues
'Quando o talento falta vale tudo'
plagiar - Conjugar
(plágio + -ar)
No Portal do Fado encontrei recentemente este plágio à obra e propriedade intelectual do poeta Carlos Conde
O ORIGINAL
Marina Mota e Maria da Fé
- A saudade é minha -
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O PLÁGIO
Por estes dias o Fado anda na boca de todos, até daqueles que sempre o desprezaram e o trataram como filho bastardo da cultura portuguesa. A distinção internacional vem reconhecer o mérito de todos os intervenientes na história do Fado, mas parece que, mais uma vez, a frase do mestre Alfredo Marceneiro é ignóbilmente esquecida. Dizia ele que: 'O mais importante no Fado é a letra'. Ora, alguém tem ouvido falar em letristas ou poetas? Não. Nomes como Gabriel de Oliveira, Armando Neves, Artur Ribeiro, Frederico de Brito, Silva Tavares, Henrique Rego, João Linhares Barbosa ou Carlos Conde, estes dois ultimos os que mais escreveram para o Fado, são dolosamente ignorados. Os poetas que referi e uma longa lista de outros nomes, fazem parte de uma geração de ouro que não pode nem deve ser ignorada, censurada ou escondida das novas gerações. Muitos dos que se empoleiraram no Fado para outros fins, enganando os incautos e criando circuitos muito estreitos e reservados de lobbies, depressa se esqueceram das suas raízes e dos tempos em que conviviam com estes artistas da escrita em esplanadas e cafés, cantando os seus versos e crescendo no Fado. Mas tenho esperança que um dia a história faça justiça e saiba destrinçar os artistas dos metediços. O Fado é uma cantiga de rua que não deve nada a ninguém. Muitos é que devem ao Fado tudo o que são e até o que julgam ser. Como sábiamente um poeta escreveu e a UNESCO reconheceu.
por Paulo Conde in Diário de Noticias - 29/11/2011
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Poeta popular português, nasceu a 22 de Novembro de 1901, no Lugar do Monte na Murtosa (Aveiro), e faleceu a 13 de Julho de 1981, em Lisboa. É considerado um dos maiores letristas de fado de todos os tempos. Ainda criança veio morar para Lisboa. Casou, em 1936, com Laura dos Santos e o casal teve três filhas. Mas uma tragédia abateu-se sobre a família: duas delas morreram por doença, o que, naturalmente, o transtornou muitíssimo. Carlos Conde viveu bem a cidade. Começou por escrever letras em cegadas, mas o seu talento acabou por ser reconhecido, aparecendo regularmente na imprensa da época, sobretudo a especializada, quer em entrevistas quer em artigos assinados pelo próprio. O fado foi a sua grande paixão. Apesar de não ser adepto de grandes noitadas, frequentava as mais importantes casas típicas do seu tempo. Lugares como Perna de Pau, A Parreirinha de Alfama, O Faia, Adega Mesquita, Adega Machado, A Tipóia, o Café Luso ou o Quebra-Bilhas. E escreveu largas centenas de letras que integraram o reportório de alguns dos mais importantes fadistas: Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Ercília Costa, Argentina Santos, Fernando Maurício, João Ferreira Rosa, Lucília do Carmo, Fernanda Maria, Frutuoso França, Maria Amélia Proença, Carlos do Carmo, Maria da Fé ou Alcindo Carvalho, entre outros. Aliás, alguns destes fadistas foram homenageados por Carlos do Conde no conjunto de quadras com os seus nomes, publicada na revista Plateia. Entre as muitas letras de fado que Carlos do Conde escreveu, algumas tornaram-se autênticos clássicos, que se ouvem regularmente nas casas do fado. Entre outras, "Não Passes com Ela à Minha Rua", "Fado da Bica", "Feira da Ladra", "Sótão da Amendoeira", "Saudades do fado" ou "A Saudade é Minha". As letras de Carlos do Conde contam por vezes histórias de um tempo ausente. Uma função que se revelou essencial para a preservação da memória de lugares, personagens e acontecimentos ligados ao fado. Outras são retratos de época, pequenos episódios corriqueiros do dia-a-dia que se não fossem os seus fados ficariam esquecidos. O seu talento foi reconhecido em vida, com mais de uma vintena de prémios. O primeiro foi em 1927, no concurso de quadras do Diário de Lisboa. Seguiram-se muitos outros, sobretudo nos então muito frequentes jogos florais. Em 1958, quando completou 50 anos, foram-lhe prestadas diversas homenagens, em festas no Café Luso, Adega Mesquita e no Grupo Desportivo do Banco Espírito Santo. Em 1972, Carlos Conde sofreu, pela segunda vez, um acidente vascular cerebral, que lhe deixou uma das pernas imóvel. Contudo só viria a morrer nove anos mais tarde e de forma muito mais drástica: estava numa esplanada em Campolide, com dois amigos, quando um automóvel invadiu o passeio e os atingiu. No poema, Fadistas Rezai por Mim, deixa uma espécie de testamento: "Deixo ao fado o meu carinho / p'ra que ele não tenha fim / Guitarras, trinai baixinho, / Fadistas, rezai por mim." Além do enorme património do fado que são as suas letras, Carlos Conde deixou descendência. Um dos seus netos, Vítor Conde, é fadista, e um bisneto, Paulo Conde, já publicou dois livros dedicados à sua vida e obra.
Referenciar documento Carlos Conde. In Diciopédia. Porto : Porto Editora, 2007.
Colectânea de letras de fado da autoria do poeta Carlos Conde. Uma obra única disponível no formato tradicional e também em e-book!
O fado é bem do povo - e muito seu -
O povo é que é juiz e há-de julgar,
Quem pensa ter chegado ao apogeu
Sem nunca ser capaz de lá chegar!...
O fado não punia dessa gente
Que o critica de mais em vários lados,
Nem pode consentir impunemente
Uma corja imbecil de mascarados!
O fado não precisa de elogios
Daqueles que não pretendem dar nas vistas,
Nem pode tolerar que haja vadios
Disfarçados com nome de fadistas...
O fado não precisa, que hora-a-hora,
O seu nome imortal ande na liça,
Nem pode ser a capa salvadora
Dalguns que devam contas à justiça!
No fado, felizmente, inda há fadistas,
Por isso tenho esp'rança, tenho fé,
Do público escolher os seus artistas
E o resto ser corrido a pontapé!...
Carlos Conde
O mundo jorrou sangue, sofreu dores Mas venceu o maior dos ideais, O tempo dos escravos e senhores Acabou de uma vez p'ra nunca mais! O mundo emancipou-se e tornou brando O fulcro dos domínios, dos alardes; O tempo do que eu quero, posso e mando Desfez-se na arrogância dos cobardes! O mundo tomou rumo, fez escola, É de todos, a todos nos foi dado, O tempo em que o trabalho era uma esmola Sumiu-se na vergonha do passado! Inda há restos de impérios, reis com trono E bobos que estrangulam gargalhadas, Mas o mundo é do povo, o povo é bono E não que suportar mais palhaçadas!
Carlos Conde
"Quando decidi eternizar em livro a vida e obra do poeta Carlos Conde, moveu-me, para além do sangue e impulsos da descendência, uma vontade expressa de tributar o Fado"
-Com a 1ª Edição esgotada nas livrarias, esta obra de referência no Fado, está agora disponível para download-
Obs: Dada a sua dimensão, o site não permite condensá-la em apenas 1 ficheiro, tendo sido assim dividida em duas partes.
www.bubok.pt/libros/930/Fado--Vida-e-obr
Feia ou bonita, que importa
Se nos assalta a paixão
Por quem nos sabe vencer,
O coração tem uma porta
E a porta do coração
Abre-se às vezes sem querer!
Cruzei um dia na vida
Com um olhar tanto a preceito
Que me toldou a presença,
Ela não pediu guarida
Mas bateu com tanto jeito
Que entrou sem eu dar licença!
O amor é um imprevisto
Faz-nos rir, faz-nos chorar
Faz-nos sofrer e sentir,
O meu coração tem disto
Às vezes quero-o fechar
Mas ele teima em abrir!
Que importa o riso, a traição
Quem ama tudo suporta
O resto não tem valor,
Só quem não tem coração
É que não tem uma porta
P'ra dar entrada ao amor!
Carlos Conde
Ricardo Ribeiro canta 'Porta do Coração'
“Lisboa, tão linda és” é uma obra única no panorama olisiponense e uma pérola na cultura portuguesa!”
Paulo Conde
Disponível em www.bubok.pt/libro/detalles/751
Video - lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/198036.htm
por Vitor Duarte Marceneiro
Creio bem que existe Deus
Por cuja bondade eu temo
Dado o seu poder fecundo,
Esse Deus que lá nos Céus
Como Imperador Supremo,
Rege os destinos do mundo!
Creio em Deus por ser um louco
Que impus ao mundo o seu nome
E vi do mundo o desdém,
Creio em Deus, por ver há pouco
Um garotito com fome
Pedindo a Deus pela mãe!
Creio em Deus, nas frases sérias
Dos vigários, dos prelados,
Dessas gentes benfazejas,
Creio em Deus, por ver misérias
E ranchos de esfomeados
Pelos portais das igrejas!
Creio em Deus, não pertenci
Em tempo algum aos descrentes,
Á turba que se revolta,
Creio em Deus, porque já vi
Muitos presos inocentes
E muitos ladrões à solta!
Creio em Deus, na sã magia
De incontestável renome
Neste orbe grande, sem fim,
Creio em Deus, porque num dia,
Disse ao mundo:- tenho fome!
E o mundo riu-se de mim!
Não convivo com ateus,
Embora me diga herege,
O fanatismo iracundo,
Como hei-de descrer de Deus
Se é ele que ordena e rege
As misérias deste mundo?!
Saudade é tudo o que existe
De encantador e de triste
De dor forte e bem profundo;
É sombra, é vida, é paixão,
É ter o mundo na mão
E andar perdido no mundo!...
Saudade é toda a virtude
Que nos prende, nos ilude
E não nos deixa andar sós;
É toda a crença vivida
Que vai chamando p’la vida,
Se a vida foge de nós!
Saudade é lembrar alguém
Que nos deu aquele bem
Supremo, que já passou;
É voz longiqua e fagueira,
Triste cinza de lareira
Que o vendaval apagou!...
Saudade é tudo – Meu Deus!
É promessa erguida aos Céus
Sonho de encantos e de abrolhos;
Saudade, alvor indeciso,
É desenhar um sorriso
Tendo as lágrimas nos olhos!...
Carlos Conde, 1939
Se é de longe que tu vens,
De um país onde se abrasa
O amor, a fé, a nobreza,
Podes entrar, porque tens
Um abrigo em cada casa
E um lugar em cada mesa!
Mas se trazes a divisa
De te impor, de interceder,
Por favor deixa-nos sós;
O meu país não precisa
Que outros venham resolver
As questões que há entre nós!
Se vens com turvo ideal
Ou com fito de abrir guerra,
Leva contigo os maus trilhos
E diz lá que Portugal
Não cede um palmo de terra
Nem vende a honra dos filhos!
Diz ao mundo, grita aos sóis,
Enche os Céus da nossa glória
Num clarão vasto e profundo,
Que só com sangue de heróis
Portugal ergueu a História
Nas cinco partes do Mundo!
Carlos Conde
O inconfundivel e genial Marceneiro interpreta esta carinhosa letra do poeta Carlos Conde
Ser pequenino
Do repertório de Alfredo Duarte ( Marceneiro )
Que bom que é ser pequenino,
Ter pai, ter mãe, ter avós,
Ter esp’rança no destino
E ter quem goste de nós.
A velhice trás revés,
Mas depois da meninice
Há quem adore a velhice
P’ra ser menino outra vez.
Ser menino, que altivez
De optimismo e desatino!
Ver tudo bom e divino,
Tudo esperança, tudo fé,
Enquanto a vida assim é
Que bom que é ser pequenino!...
Ver tudo com alegria,
Sem delongas, sem demora,
Ver a vida numa hora
Ter na mente a fantasia
Dum bem que ninguém supôs,
Ter crença, sonhar a sós,
Co’ a grandeza deste mundo
E, para bem mais profundo,
Ter pai, ter mãe, ter avós.
Ter muito enlevo a sonhar,
Acordar e ter carinho,
Ter este mundo inteirinho
No brilho do nosso olhar.
Viver alheio ao penar
Deste orbe torpe, ferino,
Julgar-se eterno menino,
Supor-se eterna criança,
E, num destino sem esp’rança,
Ter esp’rança no destino.
Ó desventura, ó saudade,
Causas da minha inconstância,
Daí - e pedaços de infância,
Retalhos de mocidade.
Dai-me a doce claridade
Roubando-me ao tempo atroz
Quero ter a minha voz
P’ra cantar o meu passado...
É tão bom cantar o fado
E ter quem goste de nós!...
CILA D'AIRE CANTA "LENDA DO MAR"